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Hamilton Rodrigo Araújo Freire de Andrade

Setembro 29, 2008

Hamilton Rodrigo Araújo Freire de Andrade é comunicador, publicitário e ministra cursos na área de motivação empresarial, gestão de pessoas entre outros.

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Hamilton Rodrigo Araújo Freire de Andrade opina sobre a crise econômica mundial

Setembro 29, 2008

Giannotti: Crise deve estimular reformas no FMI

Reuters

Modelo posa para fotos em frente à Bolsa de Valores de Nova Iorque em dia de turbulência em Wall Street

Modelo posa para fotos em frente à Bolsa de Valores de Nova Iorque em dia de turbulência em Wall Street

Hamilton Rodrigo Araújo Freire de Andrade

É “muito estranho” Lula declarar o fim do neoliberalismo sendo que “já há seis anos ele pratica a mesma política neoliberal” dos governos anteriores. Quem analisa é o filósofo José Arthur Giannotti, professor titular emérito da Universidade de São Paulo. Giannotti, que é amigo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, pondera:

- Ninguém passa de uma política à outra sem um enorme período de transição. É evidente que hoje o que a esquerda pedia (uma maior regulamentação dos mercados) aparece como uma demanda global.

Bicho-papão da esquerda mundial durante os anos 90, as políticas econômicas neoliberais tiveram seu fim “decretado” na noite de quarta-feira, 24, pelo presidente Lula, em Nova Iorque, onde esteve para a Assembléia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas).

Assim falou Lula:

- (O período neoliberal) Está encerrado porque (a crise) demonstra que também no sistema financeiro é preciso ter seriedade, é preciso ter ética, não é apenas o cidadão comum que tem que ser ético.

Por: Hamilton Rodrigo Araújo Freire de Andrade

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Decisão de Juiz mostra humanidade do judiciário

Setembro 16, 2008

Processo Número1863657-4/2008

Autor: Ministério Público Estadual

Réu: B.S.S

B.S.S é surdo e mudo, tem 21 anos e é conhecido em Coité como “Mudinho.”

Quando criança, entrava nas casas alheias para merendar, jogar vídeo-game, para trocar de roupa, para trocar de tênis e, depois de algum tempo, também para levar algum dinheiro ou objeto. Conseguia abrir facilmente qualquer porta, janela, grade, fechadura ou cadeado. Domou os cães mais ferozes, tornando-se amigo deles. Abria também a porta de carros e dormia candidamente em seus bancos. Era motivo de admiração, espanto e medo!

O Ministério Público ofereceu dezenas de Representações contra o então adolescente B.S.S. pela prática de “atos infracionais” dos mais diversos. O Promotor de Justiça, Dr. José Vicente, quase o adotou e até o levou para brincar com seus filhos, dando-lhe carinho e afeto, mas não teve condições de cuidar do “Mudinho.”

O Judiciário o encaminhou para todos os órgãos e instituições possíveis, ameaçou prender Diretoras de Escolas que não o aceitava, mas também não teve condições de cuidar do “Mudinho.”

A comunidade não fez nada por ele.

O Município não fez nada por ele.

O Estado Brasileiro não fez nada por ele.

Hoje, B.S.S tem 21 anos, é maior de idade, e pratica crimes contra o patrimônio dos membros de uma comunidade que não cuidou dele.

Foi condenado, na vizinha Comarca de Valente, como “incurso nas sanções do art. 155, caput, por duas vezes, art. 155, § 4º, inciso IV, por duas vezes e no art. 155, § 4º, inciso IV c/c art. 14, inciso II”, a pena de dois anos e quatro meses de reclusão.

Por falta de estabelecimento adequado, cumpria pena em regime aberto nesta cidade de Coité.

Aqui, sem escolaridade, sem profissão, sem apoio da comunidade, sem família presente, sozinho, às três e meia da manhã, entrou em uma marmoraria e foi preso em flagrante. Por que uma marmoraria?

Foi, então, denunciado pelo Ministério Público pela prática do crime previsto no artigo 155, § 4º, incisos II e IV, c/c  o artigo 14, II, do Código Penal, ou seja, crime de furto qualificado, cuja pena é de dois a oito anos de reclusão.

Foi um crime tentado. Não levou nada.

Por intermédio de sua mãe, foi interrogado e disse que “toma remédio controlado e bebeu cachaça oferecida por amigos; que ficou completamente desnorteado e então pulou o muro e entrou no estabelecimento da vítima quando foi surpreendido e preso pela polícia.”

Em alegações finais, a ilustre Promotora de Justiça requereu sua condenação “pela pratica do crime de furto qualificado pela escalada.”

B.S.S. tem péssimos antecedentes e não é mais primário. Sua ficha, contando os casos da adolescência, tem mais de metro.

O que deve fazer um magistrado neste caso? Aplicar a Lei simplesmente? Condenar B.S.S. à pena máxima em regime fechado?

O futuro de B.S.S. estava escrito. Se não fosse morto por um “proprietário” ou pela polícia, seria bandido. Todos sabiam e comentavam isso na cidade.

Hoje, o Ministério Público quer sua prisão e a cidade espera por isso. Ninguém quer o “Mudinho” solto por aí. Deve ser preso. Precisa ser retirado do seio da sociedade. Levado para a lixeira humana que é a penitenciária. Lá é seu lugar. Infelizmente, a Lei é dura, mas é a Lei!

O Juiz, de sua vez, deve ser a “boca da Lei.”

Será? O Juiz não faz parte de sua comunidade? Não pensa? Não é um ser humano?

De outro lado, será que o Direito é somente a Lei? E a Justiça, o que será?

Poderíamos, como já fizeram tantos outros, escrever mais de um livro sobre esses temas.

Nesse momento, no entanto, temos que resolver o caso concreto de B.S.S. O que fazer com ele?

Nenhuma sã consciência pode afirmar que a solução para B.S.S seja a penitenciária. Sendo como ela é, a penitenciária vai oferecer a B.S.S. tudo o que lhe foi negado na vida: escola, acompanhamento especial, afeto e compreensão? Não. Com certeza, não!

É o Juiz entre a cruz e a espada. De um lado, a consciência, a fé cristã, a compreensão do mundo, a utopia da Justiça… Do outro lado, a Lei.

Neste caso, prefiro a Justiça à Lei.

Assim, B.S.S., apesar da Lei, não vou lhe mandar para a Penitenciária.

Também não vou lhe absolver.

Vou lhe mandar prestar um serviço à comunidade.

Vou mandar que você, pessoalmente, em companhia de Oficial de Justiça desse Juízo e de sua mãe, entregue uma cópia dessa decisão, colhendo o “recebido”, a todos os órgãos públicos dessa cidade – Prefeitura, Câmara e Secretarias Municipais; a todas as associações civis dessa cidade – ONGs, clubes, sindicatos, CDL e maçonaria; a todas as Igrejas dessa cidade, de todas as confissões; ao Delegado de Polícia, ao Comandante da Polícia Militar e ao Presidente do Conselho de Segurança; a todos os órgãos de imprensa dessa cidade e a quem mais você quiser.

Aproveite e peça a eles um emprego, uma vaga na escola para adultos e um acompanhamento especial. Depois, apresente ao Juiz a comprovação do cumprimento de sua pena e não roubes mais!

Expeça-se o Alvará de Soltura.

Conceição do Coité- Ba, 07 de agosto de 2008,
ano vinte da Constituição Federal de 1988.

Bel. Gerivaldo Alves Neiva
Juiz de Direito

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Hamilton Rodrigo Araújo Freire de Andrade Parentes, fora!

Agosto 27, 2008

Cláudio Lembo
De São Paulo

Passaram-se mil trezentos e vinte e três anos. É muito tempo. Segundo a História, o termo nepotismo foi concebido no papado de João V, no ano de 685.

Amigos dos parentes – especialmente sobrinhos – os papas não tinham nenhum pudor em nomeá-los para exercer funções nos diversos domínios pontifícios espalhados pela Itália.

Ampliou-se o costume. Encontrou campo fértil na colonização do Brasil. A velha prática papalina, presente em toda a Idade Média, atingiu a América portuguesa por inteiro.

Na certidão de nascimento, redigida por Pero Vaz de Caminha, o nepotismo se encontrava explicitamente expresso. A transferência do genro era solicitada pelo escrivão ao Rei D.Manuel.

Em sociedade de perfil rural, os laços familiares e o compadrio constituíam-se em caminho para a obtenção de benesses. Estas se configuravam em nomeação para os mais diversos cargos públicos.

O nepotismo implantou-se como hábito nacional. Todos querem uma boquinha. Aos familiares tudo. Na falta de laços de sangue, basta aproximar-se do poderoso do momento. Tudo será resolvido.

Não se trata de um costume apenas latino ou ibérico. É mundial. Os ingleses e os norte-americanos foram usuários da prática intensamente. Abraçaram o clientelismo de maneira desmedida.

William Marcy, em 1832, não teve constrangimento em afirmar “ao vencedor pertencem os despojos”. Nascia a partilha de despojos – spoils system: os cargos públicos distribuídos aos amigos do vencedor.

Correu tempo até que a prática fosse cerceada no mundo anglo-saxão. Resta ainda um largo tráfego de influências. Este permite interpretação favorável das leis. Autorizações administrativas. Privilégios tarifários.

Por aqui, o costume estendeu-se por longo tempo. Encontra-se tão arraigado. Não podia ser extirpado sem dor. Os constituintes de 1988 procuraram conferir diretrizes.

Elaboraram o artigo 37 da Constituição. Bom dispositivo. A ponta para os princípios norteadores da atuação dos poderes da República. São regras de bem viver: legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência.

Apesar de auto-aplicável, esta norma constitucional foi relegada ao esquecimento. No Legislativo, os gabinetes dos parlamentares acolhem familiares e agregados.

O Executivo usa e abusa dos cargos de confiança. Os novos agregados – filiados ao partido vitorioso no último pleito – tomam posições com a avidez de um camelo em seguida à travessia de longo deserto.

Não escapou desta voracidade patrimonalista o Poder Judiciário. Foi tanta que o Conselho Nacional de Justiça editou resolução específica sobre o tema.

Temerosa, a Associação Brasileira dos Magistrados – órgão de representação dos juízes – ingressou perante o Supremo Tribunal Federal com ação declaratória de constitucionalidade.

Por quê? Segmentos do Judiciário não respeitaram a determinação constitucional e, por vias oblíquas, procuraram considerar inconstitucional a Resolução do CNJ sobre o tema.

O Supremo Tribunal Federal – na última quarta-feira, 20 – colocou ponto final no assunto. Considerou a norma do Conselho constitucional e, assim, baniu o nepotismo dos quadros do Judiciário e, por extensão, dos demais Poderes.

Demorou e muito. É bom começo, porém. O princípio, agora reafirmado, por ser norma constitucional, necessita ser atendido pelos demais Poderes.

As mudanças nos costumes se aceleram. As velhas práticas originárias de nossos antepassados vão merecendo superação. Assiste-se ao choque entre os velhos costumes e a ética reformada.

É bom recordar que, talvez por motivos políticos, entre os primeiros a se lançar contra o nepotismo, se encontra Lutero. Acoimou a prática de nomear parentes como geradora de uma casta eclesiástica.

Os princípios republicanos, aos poucos, ingressam na administração pública. Já não sem tempo. A coisa pública é de todos. Não se pode perpetuar como coisa doméstica.

Cláudio Lembo é advogado e professor universitário. Foi vice-governador do Estado de São Paulo de 2003 a março de 2006, quando assumiu como governador.
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Hamilton Rodrigo Araújo Freire de Andrade convida você a assistir as duas partes de: A ilha das Flores

Agosto 5, 2008

Assista as duas partes e depois abordaremos melhor esse assunto.

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Um julgamento para a história universal

Agosto 2, 2008

A “catástrofe natural” de Karadzic

“Eu estou disposto a defender a mim mesmo como me defenderia de qualquer catástrofe natural”, disse Radovan Karadzic ao juiz Alphons Orie, ao reafirmar sua decisão de não recorrer a advogados, durante o processo que deverá enfrentar no Tribunal Penal Internacional para a antiga Iugoslávia (TPII). Karadzic, que estava foragido havia 13 anos, foi capturado na segunda-feira, 21 de julho, em Belgrado (capital da República Sérvia). Nove dias depois, na manhã do dia 30, chegava à prisão das Nações Unidas em Scheveningen, Holanda, onde deve permanecer ainda por um bom tempo.

Na tarde de quinta-feira, 31 de julho, ele se apresentou formalmente ao TPII. O Tribunal foi criado para julgar os crimes cometidos na também chamada “guerra dos Bálcãs”. Península do sudeste da Europa, a região foi transfigurada pelos conflitos que marcaram os primeiros anos pós-Marechal Tito, que durante 35 anos (até 1980) comandou a Iugoslávia. Na ausência de um líder que, como Tito, fosse capaz de manter o país unido, a divisão iugoslava foi consumada sob derramamento de sangue, em crimes contra a humanidade como se havia cometido durante a Segunda Guerra Mundial. Em nome de um projeto megalomaníaco, também conhecido como “Grande Sérvia”, nacionais daquele país decidiram que era preciso “limpar etnicamente” a região, livrando a de todos os cidadãos de outras origens. O genocídio contra muçulmanos da Bósnia e albaneses do Kosovo são a marca daqueles horrores.

Em 2006, quando da morte de Slobodan Milosevic – o mais importante nome da lista dos acusados – o TPII parecia ter perdido para uma fatalidade sua mais proeminente batalha: Milosevic, comandante maior das guerras iugoslavas e uma das criaturas mais perversas da História, sofreu um ataque cardíaco fulminante, enquanto aguardava, na prisão “Club Med do Mar do Norte”, a conclusão do processo contra a sua pessoa, que já se arrastava por quatro anos. Embora outros criminosos de guerra já respondessem por seus atos, figuras de destaque como Radovan Karadzic continuavam foragidas. Nem mesmo a recompensa de US$ 5 milhões, para aquele que revelasse seu paradeiro, foi capaz de encerrar a caçada. Ao que parece, somente a partir da cooperação do serviço de inteligência sérvio, oficialmente a partir de dezembro do ano passado, foi que sua captura tornou-se mais próxima da realidade. Karadzic passara todo o tempo em Belgrado mesmo, atendendo pacientes de medicina alternativa, andando de ônibus, indo nadar na piscina pública. Para a façanha, ele contou com um disfarce que incluiu óculos espessos e uma longa barba branca. Os detalhes são importantes, pois definem a imagem de sua segunda encarnação nesta mesma vida, o doutor Dragon Dabic.

Em 21 de julho, Dabic seguia para algum lugar, num ônibus, quando foi abordado por policiais que lhe perguntaram por Karadzic. Um telefonema para sua família, interceptado pelos agentes, deu a deixa para o flagrante. Ao tentar reagir, o tido como responsável pelo massacre de Srebrenica – quando civis sob custódia da ONU foram dizimados pelas forças sérvias – foi preso e levado para um outro destino, onde permaneceu “incomunicável por três dias, em mãos de desconhecidos”, como se queixou ao juiz Orie, na sessão do dia 31, programada para a leitura da peça de sua acusação, que acabou sendo adiada para o dia 29 de agosto.

Diante da Justiça, Radovan Karadzic assumiu mais uma personalidade, a do “homem de bem” cujo erro mais grave foi ter entrado num acordo com uma autoridade americana. Richard Holbrooke, o antigo emissário dos Estados Unidos na região, teria prometido que o mundo esqueceria Karadzic, caso ele esquecesse de si mesmo. Assim, ele assumiu uma nova identidade, nova vida, nova casa. Seu aprisionamento, acusou, “foi uma quebra do trato” – uma ação ilegal, compreenda-se.

Embora se mostrasse amuado, injustiçado e até mesmo inclinado ao que poderia ser classificado de “falsidade” – fez ressalvas respeitosas à pessoa de Alphons Orie, ao mesmo tempo em que dizia não ter interesse em ouvir o que ele tinha para dizer – em ao menos um ponto Karadzic pareceu aliviado. Quando perguntado se havia alguém que devia ser avisado de seu paradeiro em Haia (sede do TPII), ele respondeu galantemente:

- O senhor não vai acreditar, mas não há uma só pessoa neste mundo que não saiba que eu estou aqui.

Para os sobreviventes dos massacres atribuídos a Radovan Karadzic a declaração soou como um bálsamo.

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Corruptos …

Julho 28, 2008

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Alegria na alma: João Ubaldo Ribeiro vence edição 2008 do Prêmio Camões

Julho 26, 2008

Lisboa, 26 jul (Lusa) – O escritor João Ubaldo Ribeiro é o vencedor do Prêmio Camões 2008, a mais importante homenagem atribuída a autores de língua portuguesa.

João Ubaldo é oitavo escritor brasileiro a ser distinguido com o prêmio, que na sua edição anterior foi para o português António Lobo Antunes.

O escritor baiano nasceu na ilha de Itaparica, em 23 de janeiro de 1941. Entre seus livros mais famosos estão “Setembro não faz sentido”, “Sargento Getúlio”, vencedor do Prêmio Jabuti em 1972, “Viva o povo brasileiro”, “O Sorriso do lagarto” e “A Casa dos Budas Ditosos”.

O escritor viveu em Lisboa em 1981, com uma bolsa da Fundação Calouste Gulbenkian, e ao longo da sua carreira recebeu vários prêmios e teve algumas obras adaptadas para televisão.

Iniciou a sua vida profissional como jornalista no Jornal da Bahia, em 1957, e no ano seguinte editou revistas e jornais culturais, tendo dado os primeiros passos na literatura com a participação na antologia “Panorama do Conto Baiano”, organizada por Nelson de Araújo e Vasconcelos Maia, com “Lugar e Circunstância”.

O escritor foi também responsável pela adaptação cinematográfica do romance de Jorge Amado “Tieta do Agreste”, com a atriz brasileira Sônia Braga no papel principal.

Histórico

João Ubaldo Ribeiro foi eleito por um júri formado por professores de universidades brasileiras e portuguesas, além de dois escritores de Cabo Verde.

Instituído pelos governos português e brasileiro em 1988, o prêmio distingue, anualmente, um autor que, pelo conjunto da sua obra, tenha contribuído para o enriquecimento do patrimônio literário e cultural da língua portuguesa.

O escritor português Miguel Torga inaugurou em 1989, no primeiro ano da atribuição do prêmio, a lista dos vencedores.

Desde então, foram distinguidos nove autores portugueses, sete brasileiros, um moçambicano e dois angolanos. Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Guiné-Bissau não tiveram ainda nenhum autor premiado.

Por: Hamilton Rodrigo Araújo Freire de Andrade em Caicó-RN

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Hamilton Rodrigo Araújo Freire de Andrade conversa com “Seu Jorge” Veja a entrevista… breve postaremos o aúdio…

Julho 25, 2008

Office-boy, marceneiro, borracheiro. Alguns anos se passam, chega o sucesso. De público e de crítica. Nova profissão: músico e compositor. Com ela, novos desafios. E o reconhecimento.

Seu Jorge está num quarto na cidade de Aquiraz, no Ceará. Relaxa no conforto de um parque aquático antes de embarcar para São Paulo. Senta para brincar com as duas filhas. O telefone toca. A brincadeira é interrompida. Segue outra entrevista.

- Vambora.

Hamilton Rodrigo Araújo Freire de Andrade conversou com Seu Jorge por telefone antes da apresentação que o músico fará nesta sexta-feira, no Citibank Hall, na capital paulista. O show faz parte da turnê de divulgação do álbum América Brasil, de 2007.

Nos meses de maio e junho, o cantor realizou uma série de concertos internacionais para divulgar o disco. Passou por Estados Unidos, Inglaterra e Espanha. Deste último, trouxe uma lembrança inconformada.

- Na hora do almoço, tudo fecha. Na hora do almoço! Tudo fechado! Não tem cabimento isso, velho…

Nas linhas que se seguem, o carioca também fala sobre música, cinema, família. Diz não ter medo de perder o contato com o público depois da popularidade.

- Às vezes o concerto tá cheio e eu tô lá na porta tomando umazinha com todo mundo antes do baile começar. Não muda nada, né?

Ex-morador de rua, Jorge fala ainda do Brasil e dos brasileiros. Das classes altas e baixas. De gente importante sendo presa:

- Tem uns ricos dançando também. O (banqueiro Salvatore) Cacciola foi trazido de volta e vai sentar uns treze anos – diz.

Leia a seguir a entrevista com Seu Jorge:

Hamilton – O que esperar do show desta sexta-feira?
Seu Jorge -
Olha, velho, a idéia é a seguinte: fazer uma grande celebração. A gente vai tocar as músicas desse disco e as coisas que as pessoas já conhecem. Pra gente, que quase não toca aqui, é uma celebração. É muito simples, é só música. Não tem efeito especial nem nada de mirabolante, nada demais.

É a música pela música…
É a música, a gente vai fazer um som lá para a galera que quiser ouvir.

Você está em primeiro lugar na parada do Rio de Janeiro e em segundo na de São Paulo. E você tem uma característica sempre lembrada pelos fãs, que é o envolvimento com o público. As pessoas dizem que te vêem andando de bicicleta pelas ruas no dia dos shows, andando por aí numa boa. Com o aumento da sua popularidade, teme perder esse contato e se descaracterizar?
Não, porque eu continuo fazendo as mesmas coisas. Às vezes o concerto tá cheio e eu tô lá na porta tomando umazinha com todo mundo antes do baile começar. Não muda nada, né? Essa é a minha profissão, a minha mensagem é fazer música para todo mundo que gosta de música. Sempre que, na medida do possível, eu puder encontrar com as pessoas e ter um bom papo…

Certo….
Nós estamos num momento, irmão, em que o país parece que quer se desenvolver, crescer, está começando pelo menos a ter um olho internacional voltado para si. Hoje mesmo saiu uma notícia sobre o crescimento na geração de emprego. Isso é o reflexo de uma situação econômica nova, de uma moeda um pouco mais forte, de uma política exterior mais estabilizada – apesar de haver turbulência, apesar de haver toda uma crise mundial e o mundo estar uma cagada. É importante agora estarmos mais abertos, olhando cada um na cara do outro, estimulando o desenvolvimento da coletividade. Quem é da música, da arte, da comunicação tem que estar atento a essa mudança. Tem uma geração nova chegando. O garoto de dez anos daqui a pouco tem vinte e começa a pensar, julgar, votar. A gente tem que deixar uma mensagem positiva de união e desenvolvimento. E nada como encontrar as pessoas para poder falar dessas coisas e bater esse papo.

Você estava trabalhando num documentário sobre o trabalhador brasileiro, certo? Como está isso?
Não é exatamente sobre o trabalhador brasileiro. Na verdade, o que a gente queria fazer é aproveitar as imagens que a gente fez na turnê no Brasil do ano passado. Ocorreu de a gente estar junto do trabalhador, cantando aquela canção, e ocorreu de encontrar as pessoas no nosso entorno. E aí entrevistamos várias pessoas para ver como elas pensam, o que elas pensam do seu trabalho, se está feliz ou não, o que ela gostaria de fazer, quais os sonhos. Curiosidades de um povo. Eu queria saber disso em diversos lugares do Brasil por onde eu passei e a gente acabou filmando esses depoimentos. Agora estamos atrás de uma narrativa para contar essa experiência. Arrumando isso, a gente pensa em inserir num DVD – até mesmo do América Brasil, quem sabe?

O América Brasil, quando surgiu na minha cabeça, era um disco para atender o público brasileiro, já que eu não tinha um disco de carreira. Tinha um álbum com a Ana Carolina, que trouxe um público novo. Ela é, como todos nós sabemos, graças a Deus, uma grande cantora e uma artista consagrada. E eu fiquei muito popular com as pessoas mais simples com esse disco. Ele tocou nas ruas, nas lojas, nas rádios. Então, esse público novo que não me conhecia, ele ficou muito curioso. O América Brasil faz uma revista, porque ao mesmo tempo em que ele fala um pouco da minha intimidade e da minha vida, ele tem essa coisa de ter um ponto de vista sobre o Brasil, de como eu estou entendendo as coisas agora.

Você disse numa entrevista ao Jô Soares, brincando, que a classe média alta é “o topo da cadeia alimentar”. Aproveitando o mote, como vê a situação do país hoje?
Cara, eu acho que o país tem um problema de distribuição de renda e coisas assim. Mas eu acho que o Brasil tá querendo crescer, se desenvolver, sabe? Tô sentindo o desenvolvimento pintando. Agora, a gente precisa se preparar para esse país. Eu acredito que isso tudo tem que ser baseado na criatividade desse povo, que vai aprender a se organizar por si próprio, como no carnaval, fazendo uma analogia bem simples. Enquanto houver a fome e a indiferença – que eu acho que são as maiores violências desse país – vai haver doença, barbárie, muita coisa ruim acontecendo. Enquanto não entendermos isso, a gente vai penar. Muita gente vai pagar.

Hoje há uma grande comoção porque um banqueiro foi algemado, mas quando acontece a mesma coisa com uma pessoa pobre existe essa indiferença a que você se refere…
Existe muita disparidade.

O que você acha disso?
Tem muito cara entrando na cadeia aí. Tem uns ricos dançando também. O Cacciola foi trazido de volta e vai sentar uns treze anos, não sei. O deputado também dançou, nessa história de milícia. Não tem fiança, vai ficar lá guardado. Mas tem umas contradições. Tem umas leis que deixam muita gente impune, muita coisa passa batido. Mas incrivelmente, ao mesmo tempo, parece que existe uma justiça dando conta da sociedade e de algumas figuras já bem famosas e conhecidas como intocáveis, que tem ruído. É esperar para ver o que acontece.

É verdade que você pensou em distribuir de graça o América Brasil na saída dos shows?
Eu, na verdade, gostaria. Posso dizer que sou um artista independente, mas que ainda vive dentro da configuração que a indústria estabeleceu. Ainda trabalho com as regras que estão estabelecidas. Lancei e prensei o disco, mas só poderia distribuí-lo gratuitamente se tivesse os recursos para pagar os direitos de alguns autores, de músicas que tocaram. O máximo que eu pude fazer foi sair com esse custo, de R$ 10,00. Em alguns casos a pessoa comprou o ingresso e ganhou o disco. Em outros, foi vendido a R$ 10,00 ou coisa assim. Eu inverti a situação: geralmente você lança o disco, manda pra rádio, faz toda a imprensa e aí sim faz os shows. A receita diz que é assim. Mas eu fiz primeiro a turnê. Aí apareceu a EMI, lancei um disco em Portugal primeiro. Engraçado isso. Eu queria sair com os shows antes.

Você baixa mp3? Muitos artistas reclamam dos downloads…
Acho que eu sou um dos caras mais “baixados” nessa parada, cara. Acho que eu sou um dos caras mais “baixados” desse negócio aí (risos).

Mas não parece se preocupar muito com isso…
Não….O compartilhamento não é um problema. O problema é a pirataria. Se você achou um som, gostou e quer mostrar pra sua namorada, você tá compartilhando com ela, não é? Agora se você pegar e vender pra ela, você está pirateando, meu velho. Aí não anda, você tá quebrando uma firma, uma fonte de divisas pra galera. É uma questão de consciência, educação. Se a gente entrar nesse mérito…

Como foi gravar o Tarantino’s Mind? De onde surgiu a idéia do curta?
Eu adoro aquele trabalho, o Selton é um gênio, um dos grandes atores desse país. Ele… Só um minuto. (NR: Seu Jorge interrompe a conversa para brincar com a filha de cinco anos).

- …ô minha filha linda, gostosa! Que beijo bom! Vai tomar banho, vai?

Pô, tô aqui num parque aquático com a família. Minhas crianças estão de férias e eu vim dar um pouco de infância pra minha filha porque, pô… Ela só tem cinco anos, a outra tem dois, e elas precisam de infância agora.

Deve ser ruim quando a família fica longe…
Eu sempre fico muito longe, às vezes por causa de cinema eu me afasto um mês, dois. A minha menor tem dois anos de idade, não agüenta, não entende. Não digo que é ruim. É necessário que seja sim. É maravilhoso – claro, seria muito melhor se eu pudesse estar com toda a estrutura que permitisse carregá-los. Mas mesmo assim seria duro, sabe? Porque entrar numa turnê de 30 dias… Num dia você tá em Houston, no outro em Austin, Dallas, Madison. A cada dia num lugar com criança pequena e tal… é caótico. Mesmo com toda aquela pompa, ainda assim é uma fadiga.

Sei…
Na Espanha, na hora do almoço, tudo fecha. (inconformado) Na hora do almoço! Tudo fechado! Não tem cabimento isso, velho… O comércio eu até entendo, mas o restaurante, na hora do almoço, eu não entendo, não.

Voltando ao Tarantino’s Mind…
Tem dois meninos lá da (produtora) 300ml que me ligaram, o Felipe e o Bernardo. Eles passaram o roteiro, engraçadíssimo. Foi muito divertido fazer, e eu fiquei muito feliz pelo sucesso que esse trabalho fez numa cena completamente alternativa, na internet. Aquilo não passou em cinema nenhum, mas passou no MoMa, em Nova Iorque. Chegou à mão do Tarantino, ele curtiu o filme. E os caras (Felipe e Bernardo) foram trabalhar numa companhia americana. Porque sabe como é, velho: os caras viram que o maluco é bom, e não deixa ficar parado.

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Amorim: Negociações se aceleram…

Julho 23, 2008

Com a chegada de seu principal aliado, o ministro indiano de Comércio, Kamal Nath, o Brasil ganha mais força para continuar insistindo em suas posições na tarde desta quarta-feira, durante um debate restrito convocado pelo diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Pascal Lamy.

Além de Amorim e Nath, também participam da reunião os negociadores da União Européia, Peter Mandelson, e dos Estados Unidos, Susan Schwab.

“É preciso deixar claro que jamais estaríamos onde estamos agora, inclusive com essa oferta dos Estados Unidos, se não fosse pelo G20″, afirmou Amorim.

“Ofertas melhores”
Na terça-feira, os Estados Unidos ofereceram reduzir a US$ 15 bilhões o limite para seus subsídios agrícolas.

Juntos, Brasil e Índia deverão insistir em que a proposta americana é “um bom começo, mas não o suficiente”, segundo palavras de Nath, que reproduzem a mesma mensagem já passada por Amorim.

“Não esperamos que o início seja o fim. Esperamos ofertas melhores e realistas em relação a sua aplicação”, disse o ministro indiano.

“Eles lançaram a bola, mas ela não passou do meio de campo. A bola ainda está no campo deles (dos americanos)”, disse Amorim.

Os dois aliados também pressionarão por manter fora do acordo sobre bens industriais as chamadas cláusulas anti-concentração, que os países mais ricos querem incluir para limitar o nível de flexibilidade com o qual os países em desenvolvimento poderiam proteger determinados setores da indústria na hora de aplicar os cortes de tarifas.

“Elas (as cláusulas) seriam uma forma de causar a erosão da indústria nos países pequenos. Não podemos esquecer que os países em desenvolvimento enfrentaram muitas dificuldades para se industrializar e outros países não serão capazes de se industrializar por causa dos fluxos comerciais internacionais”, disse Nath.

“Se (os países mais ricos) querem que isso seja o determinante do acordo, que assim seja”, afirmou o ministro indiano.

Cronograma
Apesar das evidentes diferenças, Amorim disse acreditar que será possível chegar a um acordo até o final desta semana e que está disposto a permanecer em Genebra o tempo que for necessário para isso.

“Isso é um processo de negociação. É claro que há muitos pontos de discórdia, mas eu não vejo crise nenhuma”, afirmou.

Segundo o porta-voz da OMC, Keith Rockwell, “as negociações chegaram a um nível mais intenso nas últimas horas e avançam minuto a minuto”, mas ainda é incerto se o cronograma, que previa o final das reuniões para o sábado, poderá ser mantido.

Os negociadores devem receber um novo texto, com as propostas revisadas, nesta sexta-feira e deverão avaliá-lo e elaborar suas respostas antes chegar a uma conclusão conjunta.

“Eu não descarto a possibilidade de que tenhamos que estender até a semana que vem”, admitiu Rockwell.